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  Posted: May 15, 2012 1:03 AM FEED
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Posted: Oct 13, 2017 2:19 PM
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"Segundo a mitologia, Iemanjá, a divindade da Água, surgiu do mar pela ação de Olodumare, o deus supremo ioruba. No momento da criação do mundo, Iemanjá aparece como coadjutora de Olodumare na criação dos demais orixás, criando-se depois a Terra, que é em seguida povoada pela humanidade.
Mas Olodumare, o Criador, distancia-se de suas criaturas, os orixás, inclusive Iemanjá. Iemanjá teve uma relação incestuosa com seu irmão Aganju, o fogo, e dessa união nasceu Orugã. Atraído pela beleza e inteligência da mãe, Orugã apaixonou-se pela mãe e, na ausência do pai, tentou violentá-la. Para escapar do assédio sexual do filho, Iemanjá desesperada e, na fuga, caiu no chão desfalecida.
Nesse momento o corpo de Iemanjá começou a crescer, tomando proporções descomunais. Dos seus enormes seios surgiram os rios e o mar e do seu ventre nasceram os orixás: Ogum, divindade do ferro e da guerra; Xangô, divindade do trovão e do fogo; Oiá, divindade associada aos ventos e às tempestades; Obá, divindade ligada ao patronato familiar e à fidelidade conjugal; Oxóssi, divindade da caça; Omolu, divindade da varíola e de todas as doenças de pele; Oxum, divindade ligada a beleza e aos encantos mágicos e a outras divindades se compõem o panteão ioruba.
Com o incesto, dá-se o caos. O incesto é o fator de ruptura total, constituindo-se no maior dos tabus em todas as culturas conhecidas, sendo considerado por algumas correntes antropológicas como o grande princípio organizador da sociedade. Assim o incesto praticado por Iemanjá e seu irmão pode ser interpretado como demarcador do surgimento da cultura, sendo assim um mito de criação." Armando Vallado
Posted: Oct 13, 2017 2:16 PM
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"Noutro mito Iemanjá aparece como a dona das cabeças humanas, assim, quando Olodumare fez o mundo, repartiu entre os orixás vários poderes, dando a cada um deles um reino para cuidar. Para Iemanjá, Olodumare destinou os cuidados da casa de Oxalá, orixá velho e alquebrado, assim como a criação de seus filhos e de todos os afazeres domésticos.
Iemanjá trabalhava e reclamava da sua condição de menos favorecida, pois, afinal, todas as outras divindades recebiam oferendas e homenagens enquanto ela vivia como escrava.
Durante muito tempo Iemanjá reclamou dessa condição e tanto falou, tanto falou nos ouvidos de Oxalá, que este enlouqueceu. O orí (a cabeça) de Oxalá não suportou os reclamos de Iemanjá.
Caindo Oxalá enfermo, Iemanjá deu-se conta do mal que fizera ao marido e tratou de curá-lo, arrependida e temerosa. Em poucos dias, utilizando-se de banha vegetal (orí), de água fresca (omi tutu), de obi (fruta conhecida como noz-de-cola), pombos brancos, frutas deliciosas e doces, curou Oxalá.
Oxalá, agradecido, foi a Olodumare pedir para que atribuísse a Iemanjá o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas e é homenageada quando se faz nos terreiros de candomblé o bori (ritual propiciatório à cabeça) e demais ritos à cabeça. Assim Iemanjá é sempre lembrada nos terreiros e em todos os momentos os filhos-de-santo a saúdam e agradecem como mãe das cabeças.
Nas festas públicas nos terreiros durante sua dança ritual, os filhos de santo dançam em movimentos circulares que lembram as ondas do mar e tocando a fronte e a nuca, saúdam Iemanjá, fazendo referência a seu domínio sobre suas cabeças." Armando Vallado
“A Bahia te espera para sua festa mais quotidiana. Teus olhos se encharcarão de pitoresco, mas se entristecerão também ante a miséria que sobra nestas ruas coloniais onde começam a subir, magros e feios, os arranha-céus modernos”. Bahia de Todos os Santos - Guia das Ruas e dos Mistérios da Cidade do Salvador - Jorge Amado